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museus de Ponte de Lima

MUTE_2Museu dos Terceiros_Miguel Costa

Museu dos Terceiros_Miguel Costa

Almas do Purgatório

Baixo-relevo em madeira dourada e policromada do Século XVIII

Almaspurgatorio 1 970 2500
  • Dimensões: 76 x 122 cm
  • N.º Inventário: 0100

O Purgatório é entendido como um local de purificação pelo fogo para as almas que estão destinadas a aceder ao Paraíso, mas que em virtude de pecados veniais cometidos em vida, precisam ainda de uma preparação para ver Deus. As almas que se purificam nesse lugar, que os crentes entendem ser um espaço físico e não apenas metafórico, podem ser auxiliadas pelas orações dos fiéis vivos. É o reflexo mais visível do elo estabelecido entre a igreja militante e a igreja purgante.

A Reforma Protestante, de um modo geral, negou a existência do Purgatório, cuja crença foi avivada e estimulada, após o Concílio de Trento, pelas autoridades católicas, facto que não foi alheio à criação das Confrarias das Almas. A devoção popularizou-se e a representação das Almas invadiu o espaço público, manifestando-se sobretudo através da edificação generalizada dos nichos das Alminhas, em ambiente urbano e rural, de um modo especial na encruzilhada dos caminhos.

A arte traduziu a crença no Purgatório figurando corporalmente os purgados, muitas vezes representativos de posições sociais distintas, como a realeza, a hierarquia eclesiástica, a nobreza e o povo, ardendo nas chamas purificadores, num nível inferior, com as mãos suplicantes para o Alto, pedindo a intercessão de Jesus Cristo, da Virgem ou dos Anjos, destacando-se a figura do arcanjo São Miguel devido à sua missão escatológica no dia do Juízo Final, quando pesa e encaminha as almas à presença de Cristo Juiz. Por vezes aparecem também membros da igreja militante, vestidos, em posição orante.

Esta placa relevada, que funcionou como um frontal de altar na Igreja Matriz de Ponte de Lima, não apresenta qualquer figura intercessora, ficando subjacente que as Almas apelavam às figuras santas que se encontravam entronizadas no retábulo que esta peça, agora descontextualizada, integrava. Sete figuras veem-se entre a labareda em poderoso movimento ascendente. Algumas apresentam-se de perfil, outras em posição frontal, umas com os braços mergulhados nas chamas, outras estendendo-os para cima, como se tentassem sair ou invocar o auxílio vindo do Alto. Esta diversidade de posições e de gestos empresta um carácter de azáfama e movimento à cena. Entre as personagens representadas realçam-se uma figura coroada e outra mitrada, numa clara indicação de que os poderes temporal e espiritual não estão isentos da provação.