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museus de Ponte de Lima

MUTE_2Museu dos Terceiros_Miguel Costa

Museu dos Terceiros_Miguel Costa

Cruz Relicário

Cruz relicário do século XVII

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De inspiração indo-portuguesa, esta cruz relicário, também denominada estauroteca por conter uma suposta relíquia da Vera Cruz, constituía, desde o século XVII, propriedade do convento de Santo António. Guardada no sacrário do altar da Imaculada Conceição, situado no lado da Epístola, na igreja conventual, é descrita pelo cronista: "huma grande relíquia do Santo Lenho, a qual clausurada em crystal está collocada em huma Cruz de evano, ainda que delle pouco se divisa por estar toda guarnecida de engastes de prata."

Surge enumerada no Livro da Inventa de Todas as Alfaias e Demais Objetos Pertencentes à Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, de 1865: "Uma Sacrada Relíquia com lavores e machetada com pedras de cores". Volta a surgir de modo mais inconfundível num outro Livro de Inventa da mesma Ordem Terceira, datado de 1904: "Uma cruz de prata lavrada, com peanha, embutida em madeira, denominada Santo Lenho. Tal facto parece sugerir que, depois da extinção das Ordens Religiosas e do encerramento do convento de Santo António dos Frades, a cruz relicário terá transitado para o edifício contíguo da Ordem Terceira de S. Francisco.

Cruz relicário sobre alma de madeira, de retaguarda plana, exibe a face orlada por friso trilobado, em prata filigranada com engastes de vidro colorido a azul safira, verde-esmeralda e vermelho rubi. Apresenta base semi-octogonal estruturada em três patamares, com maior saliência para o do nível intermédio. Na cruz, de forma latina, divisam-se cinco recetáculos para conter as relíquias: dois na parte inferior da haste, de orientação vertical, por cima de cabeças de serafins, dois no braço, alinhados horizontalmente, e um no nó, emoldurado por cartela. As extremidades da haste e do braço da cruz apresentam elementos trilobados vazados, repetidos no resplendor quadrangular do cruzeiro.